Comunidade Santa Luzia do Bom Prazer do Poacê
A comunidade é do tipo aglomerado rural, pertencente à zona rural do município de Moju, no Pará. Os moradores mantêm laços culturais, produtivos e ecológicos com o espaço da comunidade, com destaque para a produção de farinha e para o conhecimento fitoterápico. Há na comunidade conhecimento considerável da flora para aplicação da medicina popular, ancestral e tradicional. Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção. O sistema construtivo predominante nas edificações da comunidade é a madeira, com casas suspensas, construídas nos terrenos alagadiços, com vedações (fechamentos) em ripas verticais, cobertura de telha cerâmica ou telha de fibrocimento, com implantação equilibrada em relação à vegetação do entorno, sem delimitação de lote, ou uso de barreiras do tipo muro ou similares.
Aspectos históricos, sociais, econômicos, culturais e geográficos relacionados à arquitetura vernácula
Esta comunidade dista cerca de 9 km da sede do município de Moju, é situada às margens do Igarapé Poacê e é habitada por cerca de 70 famílias. A área principal do povoado é composta por 20 domicílios, enquanto as áreas mais distantes são apropriadas pelas famílias para subsistência, como locais da prática de agricultura, onde as atividades são distintas entre homens e mulheres (Cardoso; Cardoso, 2022; Quaresma et. al., 2021). A região foi reconhecida como território quilombola no ano de 2008, mas sua formação, enquanto organização social, remonta há pelo menos 40 anos (Cardoso; Cardoso, 2022). Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção.
Descrição do tipo de aglomerado urbano ou rural e de sua tipologia físico-espacial
A comunidade é do tipo aglomerado rural, pertencente à zona rural do município de Moju, no Pará. É situada em Jambuaçu, uma das 5 zonas que subdividem a extensa zona rural do município (Baixo Moju, Alto Moju, PA 150, PA 252 e Jambuaçu) (Gespan, 2003). A principal forma de trabalho e ocupação da comunidade é a agricultura familiar. As atividades são desenvolvidas em roçados, de forma tradicional, para o cultivo de culturas perenes e permanentes, sob regime de trabalho familiar (Quaresma et. al., 2021). Os moradores mantêm laços culturais, produtivos e ecológicos com o espaço da comunidade, com destaque para a produção de farinha e para o conhecimento fitoterápico. Há na comunidade conhecimento considerável da flora para aplicação da medicina popular, ancestral e tradicional. Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção. O agrupamento cultiva espécies madeireiras para a construção da grande maioria de suas moradias, tais como andiroba, castanheira, angelim vermelho, acapu e a maçaranduba (Quaresma et. al., 2021). Porém, há relatos de membros da comunidade sobre a escassez das espécies na região, o que justifica a construção de moradas com uso de materiais convencionais – alvenaria e concreto (Cardoso; Cardoso, 2022). A grande maioria dos moradores prefere residir na comunidade devido à tranquilidade do local e ao acolhimento dos habitantes, pois uma parcela significativa da comunidade é oriunda de outras cidades ou outras localidades rurais paraenses (Quaresma et. al., 2021).
Descrição geral da forma assumida pelo aglomerado urbano na área focalizada no verbete
O sistema construtivo predominante nas edificações da comunidade é a madeira, com casas suspensas, construídas nos terrenos alagadiços, com vedações (fechamentos) em ripas verticais, cobertura de telha cerâmica ou telha de fibrocimento, com implantação equilibrada em relação à vegetação do entorno, sem delimitação de lote, ou uso de barreiras do tipo muro ou similares. De acordo com o senhor Rodrigues, morador e construtor da comunidade as casas são construídas em madeira, montadas com esteios, tábuas, flechais, ripas e pernamancas, atracados por parafusos e pregos. Segundo ele, os compartimentos superiores o piso é construído em madeira, e no térreo o piso é construído de cimento queimado (Cardoso; Cardoso, 2022). O morador ressaltou o conforto térmico, como motivação para a escolha de morada desse tipo, ele ressalta que a circulação da ventilação é facilitada com o uso de ripas de madeira no fechamento das edificações: “a casa de madeira é mais ventilada assim né?! Tem mais assopro, devido as frestas. E nas casas de alvenaria, não! É tudo vedado” (Cardoso; Cardoso, 2022).
Descrição da arquitetura vernácula/popular predominante no aglomerado
Descrição das características das edificações
A madeira é predominante nas moradas, De acordo com o senhor Rodrigues, morador e construtor da comunidade as casas são construídas em madeira, montadas com esteios, tábuas, flechais, ripas e pernamancas, atracados por parafusos e pregos. Segundo ele, os compartimentos superiores o piso é construído em madeira, e no térreo o piso é construído de cimento queimado (Cardoso; Cardoso, 2022). O morador ressaltou o conforto térmico, como motivação para a escolha de morada desse tipo, ele ressalta que a circulação da ventilação é facilitada com o uso de ripas de madeira no fechamento das edificações: “a casa de madeira é mais ventilada assim né?! Tem mais assopro, devido as frestas. E nas casas de alvenaria, não! É tudo vedado” (Cardoso; Cardoso, 2022).
Tipologia Arquitetônica
Ameaças à continuidade do(s) tipo(s) identificado(s)
A pressão causada pela exploração de recursos da floresta pelo grande capital é a maior ameaça à comunidade. Os empreendimentos ligados ao agro-negócio consomem os recursos até a escassez, exaurem a terra e alteram o modo de vida desta comunidade quilombola, provocando a poluição do igarapé local, a escassez de peixes e de animais para a criação e caça, e de recursos da flora (Cardoso; Cardoso, 2022). Vale reforçar que a comunidade foi formada com pessoas que fugiam de conflitos internos e externos à região de Jambuaçu, e que se reuniram para vivenciar a experiência da vida coletiva. A maior ameaça para a continuidade da arquitetura vernácula praticada no conjunto da comunidade, é a escassez de espécies, como ipê, maçaranduba, angelim, fato diretamente ligado ao avanço do desmatamento e ao corte ilegal de árvores. E à ação de grandes empresários madeireiros, que usam maquinário robusto (tratores com correntes) de modo intensivo, interferindo também na área de mata da comunidade que serve para o plantio agroecológico, para o roçado, e que tenta preservar as espécies madeireiras (Quaresma et. al., 2021).
Existe algum tipo de acautelamento, como patrimônio cultural material, imaterial ou natural relacionados a este verbete? *
Não há
Referências
CARDOSO, Cristina Lima; CARDOSO, Ana Claudia Duarte. Manifestações de Bioarquitetura no Estado do Pará: Paralelos com a casa indígena, quilombola e ribeirinha. Trabalho de conclusão de Curso, FAU-UFPA. Belém,2022.
QUARESMA, A. B; GARCIA, O. S.; GUIMARÃES, L. A. C.; ALVES, R. J. M.; MARTINS, A. C. C. T. Abordagem socioeconômica e etnoecológica na comunidade Santa Luzia do Bom Prazer, Moju, Pará, Brasil. Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, vol,1,nº 5,pp.1-23, 2021.
GESPAN, Gestão Participativa de Recursos Naturais. Informações básicas sobre o município de Moju, Pará: uma contribuição para o seu planejamento. Moju, p.43. 2023.