Ilha do Combu
A formação socio-espacial da ilha remonta ao início da ocupação na parte insular do município de Belém do Pará, em meados do século XVIII, quando ocorreu a miscigenação dos povos nativos, migrantes europeus, povos africanos; e mais tarde, no fim do século XIX, por ocasião da chegada de populações vindas de outras partes do Brasil, relacionados ao ciclo da borracha na Amazônia (SILVA; CARDOSO, 2019; CIRILO,2013). A ilha tem ambiente natural relativamente preservado, é uma Área de Proteção Ambiental (APA), habitada em maior parte por populações ribeirinhas, em formação de baixa densidade populacional. A ocupação do território possui características próprias. Os arranjos espaciais são, em sua maioria, constituídos de habitações familiares, que também são adaptadas para fins comerciais e de serviço, com trapiches individuais na margem do rio, além dos caminhos e conexões estabelecidos em terra firme. Nessa forma de habitar a ilha o limite de cada edificação pode se confundir com os elementos naturais do lugar, tais como parte da mata nativa ou um igarapé, nesses arranjos se encontram uma família ou mais núcleos familiares com grau de parentesco próximo, habitando o mesmo terreno (SILVA; CARDOSO, 2019). A madeira é a principal matéria prima para construção de edificações no local, retirada da floresta ao redor, viabilizando formas próprias do padrão palafítico comum em áreas de várzea amazônica. No conjunto ribeirinho da ilha também ocorrem coberturas feita com telhas de barro, ou conjunto de palha e piaçava ou ainda com telhas de fibrocimento. A madeira também é presente nas estruturas de caminho, como as estivas, passarelas de acesso, trapiche e fazendo o fechamento das casas, nas paredes, piso e composição do telhado. Além estarem presentes nas formas dos pequenos veículos fluviais, rabetas, canoas e outros ainda utilizados na ilha. A produção das edificações envolve a comunidade, porque depende da sabedoria de mestres carpinteiros, do conhecimento para a retirada da madeira e para a execução e técnica construtiva.
Aspectos históricos, sociais, econômicos, culturais e geográficos relacionados à arquitetura vernácula
A formação socio-espacial da ilha remonta ao início da ocupação na parte insular do município de Belém do Pará, em meados do século XVIII, quando ocorreu a miscigenação dos povos nativos, migrantes europeus, povos africanos; e mais tarde, no fim do século XIX, por ocasião da chegada de populações vindas de outras partes do Brasil, relacionados ao ciclo da borracha na Amazônia (SILVA; CARDOSO, 2019; CIRILO,2013). A ilha tem ambiente natural relativamente preservado, é uma Área de Proteção Ambiental (APA), habitada em maior parte por populações ribeirinhas, em formação de baixa densidade populacional. A ocupação do território possui características próprias. Os arranjos espaciais são, em sua maioria, constituídos de habitações familiares, que também são adaptadas para fins comerciais e de serviço, com trapiches individuais na margem do rio, além dos caminhos e conexões estabelecidos em terra firme. Nessa forma de habitar a ilha o limite de cada edificação pode se confundir com os elementos naturais do lugar, tais como parte da mata nativa ou um igarapé, nesses arranjos se encontram uma família ou mais núcleos familiares com grau de parentesco próximo, habitando o mesmo terreno (SILVA; CARDOSO, 2019). A madeira é a principal matéria prima para construção de edificações no local, retirada da floresta ao redor, viabilizando formas próprias do padrão palafítico comum em áreas de várzea amazônica. No conjunto ribeirinho da ilha também ocorrem coberturas feita com telhas de barro, ou conjunto de palha e piaçava ou ainda com telhas de fibrocimento. A madeira também é presente nas estruturas de caminho, como as estivas, passarelas de acesso, trapiche e fazendo o fechamento das casas, nas paredes, piso e composição do telhado. Além estarem presentes nas formas dos pequenos veículos fluviais, rabetas, canoas e outros ainda utilizados na ilha. A produção das edificações envolve a comunidade, porque depende da sabedoria de mestres carpinteiros, do conhecimento para a retirada da madeira e para a execução e técnica construtiva.
Descrição do tipo de aglomerado urbano ou rural e de sua tipologia físico-espacial
O tipo de aglomerado rural, ilha. A tipologia físico espacial é sinuosa seguinto a margem do rio, com comunidades divididas em quatro, denominadas de: Igarapé Combú, Periquitaquara (ou Santo Antônio), Beira do Rio e Furo do Benedito, que se estabeleceram gradualmente às margens dos principais furos da ilha. A ilha do Combu é rodeada pelo Rio Guamá, Furo da Paciência e pelo Furo são Benedito. Circundado pela Ilha do Murutucu Ilha Grande e Ilha de Cintra (SILVA; CARDOSO, 2019). A disposição dos lotes se estabelece no arranjo, Edificação-Quintal-Mata-Rio, onde a edificação palafítica tem frestas entre as tábuas que permitem a passagem da ventilação. No quintal, se dá a produção familiar, com o cultivo de espécies vegetais para o consumo próprio ou para a comercialização, junto às espécies nativas remanescentes. No espaço, do quintal, também há a criação de animais de pequeno porte. Na mata é a área onde a floresta é majoritariamente nativa e necessária para a subsistência das famílias na ilha, além de ser área destinada a atividades agroecológicas. O Rio é o caminho do ribeirinho, é o acesso, onde ocorre o deslocamento de pescadores, de turistas e da comunidade em si, além do lazer e socialização. A ocupação humana se distribui na mata formando pequenas clareiras, que acompanham o desenho do rio e furos (SILVA; CARDOSO, 2019).
Descrição geral da forma assumida pelo aglomerado urbano na área focalizada no verbete
As edificações originais são produzidas em madeira, em forma palafítica, com edificações térreas, compostas de trapiche, estivas, varanda, sala, quartos, cozinha, banheiro, corredor e anexos (SILVA; CARDOSO, 2019). O sistema construtivo é baseado em estacas de madeira, pilotis, que garantem a sustentação para regiões de várzea. A técnica construtiva se segue princípios recomendados pela Bioarquitetura, com a diferença de usar tábuas madeira no lugar da terra, na posição vertical no fechamento das paredes da edificação, as paredes internas são baixas e com a ausência do forro favorecem a circulação dos ventos no interior, troncos ou peças de madeira robustas são usadas na fundação, as tábuas também compõem o piso, janelas e peitoril da varanda (CARDOSO; CARDOSO, 2022). As peças de madeira também estruturam o telhado, próximo da concepção convencional, na cobertura usa-se telha de fibrocimento, ou barro, ou palha e piaçava.
Tipologia Arquitetônica
As variações a esse conjunto são as edificações de uso misto como as que abrigam comércio e moradia, pousada, restaurantes e as que são de serviço de saúde e educação. Nestes casos avança o uso de técnicas convencionais de construção, com a utilização de alvenaria e concreto (CARDOSO; CARDOSO, 2022).
Ameaças à continuidade do(s) tipo(s) identificado(s)
As ameaças à continuidade dessa arquitetura praticada na ilha advêm da dificuldade de acesso a materiais tradicionais, como a madeira de boa qualidade (cresce o uso de madeira branca de curta duração), aliada ao estigma da mudança para novos materiais considerados mais duráveis, como o tijolo e o concreto, transformando as construções em artefatos hibridos, com uso combinado de madeira, tijolo e concreto. Outro fator de ameaça é impulsionado pelo turismo massivo na ilha, com pressão pela venda da posse da terra pelos ribeirinhos. A ilha é patrimônio da união, e sem documentação ocorre venda de faixas de terra entre a margem e o linhão de energia, o que causa impacto no modo de vida dos moradores. Nesse cenário também ocorre a violência simbólica, estigmas sobre o inadequado, que internalizam o desejo de mudança de status nas edificações, principalmente as ligadas ao turismo, bares, restaurante e pousadas. O turismo crescente na ilha tem uma influência ambígua, por um lado estimula o interesse na cultura local, por outro, incentiva a descaracterização das edificações e dos arranjos espaciais afim de atender as expectativas dos visitantes, levando a uma perda gradual dos modos de construir e o conjunto de relações estabelecidas com esses modos.
Existe algum tipo de acautelamento, como patrimônio cultural material, imaterial ou natural relacionados a este verbete? *
Não há
Referências
CARDOSO, Cristina Lima; CARDOSO, Ana Claudia Duarte. Manifestações de Bioarquitetura no Estado do Pará: Paralelos com a casa indígena, quilombola e ribeirinha. Trabalho de conclusão de Curso, FAU-UFPA. Belém,2022.
CIRILO, Brenda Batista. O processo de criação e implementação de unidades de conservação e sua influência na gestão local: o estudo de caso da área de proteção ambiental da Ilha do Combu, em Belém/Pa. Dissertação de Mestrado, PPGDSTU-NAEA-UFPA. Belém,2013.
SILVA, Romário Brito da, CARDOSO, Ana Claudia Duarte. Esse rio é minha rua… e a floresta, a minha casa: Guia de desenho ribeirinho para a Ilha do Combu, Belém, Pará. Trabalho de conclusão de Curso, FAU-UFPA. Belém,2019.