Bairro Rabelão
Bairro popular periférico formado em torno das obras de construção do estádio de futebol da cidade de Turiaçu, Maranhão, ocupado através de palafitas de madeira edificadas sobre a área ribeirinha sujeita aos movimentos da maré.
Aspectos históricos, sociais, econômicos, culturais e geográficos relacionados à arquitetura vernácula
Expansão do centro da cidade de Turiaçu que acompanha o Rio São João, no sentido do Rio que dá nome ao município, a ocupação popular ocorreu quando da construção do estádio municipal de futebol pelo então prefeito, Francisco Farias Rabelo, razão pela qual o bairro passou a se chamar Rabelão. Durante as obras para construção do estádio a área em seu entorno, terrenos alagadiços pela presença de igarapés que desembocam no Rio São João, foram sendo ocupados por palafitas de madeira, abrigando trabalhadores e comerciantes. Com a concentração populacional, as vias de acesso, inicialmente estreitas passarelas de madeira, foram sendo aterradas pelo trabalho conjunto dos moradores, dando origem às vias, a maioria delas hoje pavimentadas pela prefeitura.
Descrição do tipo de aglomerado urbano ou rural e de sua tipologia físico-espacial
Aglomerado urbano às margens do Rio São João, periferia do centro da sede municipal de Turiaçu, Maranhão
Descrição da tipologia físico-espacial
Com traçado que acompanha as cotas mais altas do terreno, a tipologia físico-espacial do bairro adquire forma irregular que se origina nas vias pavimentadas do entorno do estádio de futebol e, atualmente, adentra por áreas alagadas pelo movimento da maré que influencia os rios São João e Turiaçu que banham a cidade.
Descrição geral da forma assumida pelo aglomerado urbano na área focalizada no verbete
O arruamento inicial acompanhou as linhas de cotas mais altas em torno do estádio, onde hoje se encontra o núcleo consolidado do bairro. O posterior adensamento populacional levou à ocupação de terras mais baixas por construções precárias acessíveis por meio de estreitas passarelas de madeira apoiadas em montantes enterrados no leito dos cursos d’água. Atualmente com meio-fio e arruamento pavimentado nas áreas consolidadas, o bairro conta com passeios públicos, alguns cimentados, outros ainda em terreno natural, e a implantação geral das edificações ocupa os limites frontal e laterais dos lotes, com as áreas livres destinadas aos quintais, geralmente em áreas alagáveis conforme a proximidade com igarapés que, sob influência do movimento das marés, ora se apresentam cheios, ora secos.
Descrição da arquitetura vernácula/popular predominante no aglomerado
Descrição das características das edificações
Em função das características do solo original da área, constituído por região de beira de rios com presença de igarapés e apicuns, predomina nas edificações a tipologia da palafita de madeira com telhas metálicas, de fibrocimento ou cerâmicas.
Tipologia Arquitetônica
Denominação técnica e popular do tipo
A palafita de madeira predominante no bairro Rabelão se caracteriza pelo tipo compacto, com um só corpo edificado e cobertura de duas águas, mesmo os exemplrares em dois pavimentos mantêm este tipo, determinado pela estrutura portante de madeira que sustenta assoalhos e cobertura. As técnicas, entretanto, permitem variações ocasionais com varandas em toda a fachada ou mesmo laterais entaladas no corpo principal.
Dadas as condições econômicas da população, predomina o tipo mais simples da palafita, um só volume compacto tipo porta e janela com cobertura de telhas cerâmicas, mas também existem padrões simplificados que adotam pequenas varandas frontais ou na lateral da construção e, mais raramente, aquele de maior porte horizontal e mesmo alguns exemplares em dois pavimentos, com uso misto, pois moradia de comerciantes. Nas extensões mais recentes do bairro, que adentram os igarapés com passarelas de madeira, são onde se encontram as mais precárias condições de moradia, onde habitam as famílias mais despossuídas.
Ameaças à continuidade do(s) tipo(s) identificado(s)
Apesar da existência de inúmeras edificações em alvenaria de tijolos cerâmicos, principalmente naquelas que têm usos mistos de comércio e residências, a quase totalidade dos moradores do bairro não possuem recursos financeiros para substituir suas moradias por outra tipologia. Essa condição econômica, que compromete a própria manutenção das construções, com efeitos do tempo e das intempéries sobre seus materiais de construção, é a maior ameaça à continuidade daqueles exemplares de melhor qualidade, edificados através de melhores métodos e materiais.
Existe algum tipo de acautelamento, como patrimônio cultural material, imaterial ou natural relacionados a este verbete? *
Sem qualquer tipo de acautelamento
Referências
BURNETT, F. L. (Org.) Arquitetura como resistência: autoprodução da moradia popular no Maranhão. São Luis: Editora Uema/Fapema, 2020.
MONIZ FILHO, M. F.; OLIVEIRA, G. S.; BURNETT, F. L. Palha, Madeira, Terra. Projeto e Construção da Arquitetura Popular no Maranhão. Teresina: Cancioneiro, 2022.