Comunidade Santa Luzia do Bom Prazer do Poacê

A comunidade é do tipo aglomerado rural, pertencente à zona rural do município de Moju, no Pará. Os moradores mantêm laços culturais, produtivos e ecológicos com o espaço da comunidade, com destaque para a produção de farinha e para o conhecimento fitoterápico. Há na comunidade conhecimento considerável da flora para aplicação da medicina popular, ancestral e tradicional. Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção. O sistema construtivo predominante nas edificações da comunidade é a madeira, com casas suspensas, construídas nos terrenos alagadiços, com vedações (fechamentos) em ripas verticais, cobertura de telha cerâmica ou telha de fibrocimento, com implantação equilibrada em relação à vegetação do entorno, sem delimitação de lote, ou uso de barreiras do tipo muro ou similares.

Dados do Verbete

Data publicação do verbete: 12 de fevereiro de 2025
Data da última atualização do verbete: 12 de fevereiro de 2025

Detalhamento

Denominação Oficial
Comunidade Santa Luzia do Bom Prazer, Território Quilombola de Jambuaçu
Denominação popular:
Santa Luzia do Bom Prazer do Poacê
Município(s):
Moju
Localização - Estado:
Pará
Se não for a cidade sede do município, indique aqui o distrito ou subdistrito ou se é área rural
zona rural de Jambuaçu
Localidade (se aplicável):
localidade rural

Aspectos históricos, sociais, econômicos, culturais e geográficos relacionados à arquitetura vernácula

Esta comunidade dista cerca de 9 km da sede do município de Moju, é situada às margens do Igarapé Poacê e é habitada por cerca de 70 famílias. A área principal do povoado é composta por 20 domicílios, enquanto as áreas mais distantes são apropriadas pelas famílias para subsistência, como locais da prática de agricultura, onde as atividades são distintas entre homens e mulheres (Cardoso; Cardoso, 2022; Quaresma et. al., 2021). A região foi reconhecida como território quilombola no ano de 2008, mas sua formação, enquanto organização social, remonta há pelo menos 40 anos (Cardoso; Cardoso, 2022). Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção.
Espaço da comunidade Santa Luzia do Bom Prazer. Silvinete Rodrigues, 2022
A comunidade Santa Luzia do Bom Prazer. Silvinete Rodrigues, 2022

Descrição do tipo de aglomerado urbano ou rural e de sua tipologia físico-espacial

Tipo de aglomerado

A comunidade é do tipo aglomerado rural, pertencente à zona rural do município de Moju, no Pará. É situada em Jambuaçu, uma das 5 zonas que subdividem a extensa zona rural do município (Baixo Moju, Alto Moju, PA 150, PA 252 e Jambuaçu) (Gespan, 2003). A principal forma de trabalho e ocupação da comunidade é a agricultura familiar. As atividades são desenvolvidas em roçados, de forma tradicional, para o cultivo de culturas perenes e permanentes, sob regime de trabalho familiar (Quaresma et. al., 2021). Os moradores mantêm laços culturais, produtivos e ecológicos com o espaço da comunidade, com destaque para a produção de farinha e para o conhecimento fitoterápico. Há na comunidade conhecimento considerável da flora para aplicação da medicina popular, ancestral e tradicional. Os saberes tradicionais sobre a vegetação abrangem o uso para a alimentação, medicinal e para construção. O agrupamento cultiva espécies madeireiras para a construção da grande maioria de suas moradias, tais como andiroba, castanheira, angelim vermelho, acapu e a maçaranduba (Quaresma et. al., 2021). Porém, há relatos de membros da comunidade sobre a escassez das espécies na região, o que justifica a construção de moradas com uso de materiais convencionais – alvenaria e concreto (Cardoso; Cardoso, 2022). A grande maioria dos moradores prefere residir na comunidade devido à tranquilidade do local e ao acolhimento dos habitantes, pois uma parcela significativa da comunidade é oriunda de outras cidades ou outras localidades rurais paraenses (Quaresma et. al., 2021).
Morada na Comunidade de Santa Luzia do Bom Prazer. Silvinete Rodrigues, 2022
Detalhes da morada em madeira na comunidade de Santa Luzia do Bom Prazer. Silvinete Rodrigues, 2022
Arquitetura popular em madeira na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022

Descrição geral da forma assumida pelo aglomerado urbano na área focalizada no verbete

O sistema construtivo predominante nas edificações da comunidade é a madeira, com casas suspensas, construídas nos terrenos alagadiços, com vedações (fechamentos) em ripas verticais, cobertura de telha cerâmica ou telha de fibrocimento, com implantação equilibrada em relação à vegetação do entorno, sem delimitação de lote, ou uso de barreiras do tipo muro ou similares. De acordo com o senhor Rodrigues, morador e construtor da comunidade as casas são construídas em madeira, montadas com esteios, tábuas, flechais, ripas e pernamancas, atracados por parafusos e pregos. Segundo ele, os compartimentos superiores o piso é construído em madeira, e no térreo o piso é construído de cimento queimado (Cardoso; Cardoso, 2022). O morador ressaltou o conforto térmico, como motivação para a escolha de morada desse tipo, ele ressalta que a circulação da ventilação é facilitada com o uso de ripas de madeira no fechamento das edificações: “a casa de madeira é mais ventilada assim né?! Tem mais assopro, devido as frestas. E nas casas de alvenaria, não! É tudo vedado” (Cardoso; Cardoso, 2022).
Morada em madeira com dois pavimentos na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022
A relação com a vegetação das moradas na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022
As moradas e a relação com a vegetação na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022

Descrição da arquitetura vernácula/popular predominante no aglomerado

Descrição das características das edificações

A madeira é predominante nas moradas, De acordo com o senhor Rodrigues, morador e construtor da comunidade as casas são construídas em madeira, montadas com esteios, tábuas, flechais, ripas e pernamancas, atracados por parafusos e pregos. Segundo ele, os compartimentos superiores o piso é construído em madeira, e no térreo o piso é construído de cimento queimado (Cardoso; Cardoso, 2022). O morador ressaltou o conforto térmico, como motivação para a escolha de morada desse tipo, ele ressalta que a circulação da ventilação é facilitada com o uso de ripas de madeira no fechamento das edificações: “a casa de madeira é mais ventilada assim né?! Tem mais assopro, devido as frestas. E nas casas de alvenaria, não! É tudo vedado” (Cardoso; Cardoso, 2022).
características das edificações na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022
As casas na comunidade. Silvinete Rodrigues, 2022
Silvinete Rodrigues, 2022

Tipologia Arquitetônica

Ameaças à continuidade do(s) tipo(s) identificado(s)

A pressão causada pela exploração de recursos da floresta pelo grande capital é a maior ameaça à comunidade. Os empreendimentos ligados ao agro-negócio consomem os recursos até a escassez, exaurem a terra e alteram o modo de vida desta comunidade quilombola, provocando a poluição do igarapé local, a escassez de peixes e de animais para a criação e caça, e de recursos da flora (Cardoso; Cardoso, 2022). Vale reforçar que a comunidade foi formada com pessoas que fugiam de conflitos internos e externos à região de Jambuaçu, e que se reuniram para vivenciar a experiência da vida coletiva. A maior ameaça para a continuidade da arquitetura vernácula praticada no conjunto da comunidade, é a escassez de espécies, como ipê, maçaranduba, angelim, fato diretamente ligado ao avanço do desmatamento e ao corte ilegal de árvores. E à ação de grandes empresários madeireiros, que usam maquinário robusto (tratores com correntes) de modo intensivo, interferindo também na área de mata da comunidade que serve para o plantio agroecológico, para o roçado, e que tenta preservar as espécies madeireiras (Quaresma et. al., 2021).

Existe algum tipo de acautelamento, como patrimônio cultural material, imaterial ou natural relacionados a este verbete? *

Não há
Referências

CARDOSO, Cristina Lima; CARDOSO, Ana Claudia Duarte. Manifestações de Bioarquitetura no Estado do Pará: Paralelos com a casa indígena, quilombola e ribeirinha. Trabalho de conclusão de Curso, FAU-UFPA. Belém,2022. QUARESMA, A. B; GARCIA, O. S.; GUIMARÃES, L. A. C.; ALVES, R. J. M.; MARTINS, A. C. C. T. Abordagem socioeconômica e etnoecológica na comunidade Santa Luzia do Bom Prazer, Moju, Pará, Brasil. Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, vol,1,nº 5,pp.1-23, 2021. GESPAN, Gestão Participativa de Recursos Naturais. Informações básicas sobre o município de Moju, Pará: uma contribuição para o seu planejamento. Moju, p.43. 2023.